Simpósio discute o protagonismo, o empoderamento e a visibilidade da pessoa com deficiência

Por Ísis Dantas e Thaís Martins

Há menos de uma semana do Dia de Luta da Pessoa com Deficiência- celebrado no dia 21 de setembro, Brasília foi palco do  I Simpósio Colaborativo “O Protagonismo da Pessoa com Deficiência na Sociedade”. O evento, que surgiu para oportunizar o acesso ao conhecimento e trocas de boas práticas pedagógicas, frente às necessidades de formação continuada dos profissionais multidisciplinares que atuam na educação especial e inclusiva, evidenciou a necessidade de espaços para discussão do protagonismo, do empoderamento e da visibilidade da pessoa com deficiência na sociedade.

Seguindo todos os protocolos sanitários, o Brasília Palace Hotel recebeu mais de 150 pessoas que acompanharam presencialmente o primeiro dia do I Simpósio Colaborativo. O evento, que também foi transmitido pela internet,  teve início com a apresentação da banda brasiliense  Surdodum, formada por 12 participantes, sendo seis músicos surdos, um cadeirante ouvinte e quatro ouvintes voluntários.

Na abertura do Simpósio gestores públicos e parlamentares falaram sobre a importância do evento e dos temas escolhidos para o debate. Para a secretária Nacional de Atenção à Primeira Infância, Sra. Luciana Siqueira Lira,  “é muito importante que as crianças que nascem com deficiência sejam  estimulados desde cedo para que elas tenham mais oportunidades”. Segundo ela, “o Estado e sociedade civil organizada precisam caminhar juntos para ampliar direitos e garantira espaços de protagonismo das pessoas com deficiência”.

Já a deputada federal Tereza Nelma (PSDB/ AL)  destacou a necessidade de se criar oportunidades para as pessoas com deficiência. “Esse evento é importante para que as pessoas compreendam que a sociedade é plural e há espaço para todos. No Congresso,  trabalho para que as pessoas com deficiência, além de respeito tenham também oportunidades, seja na educação, na saúde, na acessibilidade ou no mercado de trabalho”, destacou. 

Palestras – O primeiro palestrante do dia, o auditor fiscal do trabalho Rafael Giguer,  discorreu sobre preconceito contra pessoas com deficiência no mercado de trabalho e ressaltou a necessidade de inclusão. “Pessoas com deficiência têm limitações sim. Uma empresa que vai querer contratar se tiver esperando um super herói não vai encontrar, mas ele tem direito ao trabalho adaptado. É evidente que ninguém consegue fazer tudo, mas por que precisa recair sobre os ombros da pessoa com deficiência essa responsabilidade? “, questionou.  

Para Giguer, apesar do Brasil ter avançado nos últimos anos na inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, ainda falta muito para que tenhamos uma sociedade realmente inclusiva. “Estamos no caminho certo, mas as empresas precisam entender que as pessoas com deficiência têm limitações, mas apesar disso elas têm o direito de trabalhar. Por isso, o empresariado precisa se adaptar e oportunizar as pessoas com deficiência nos quadros de suas empresas”, disse. ” Vale ressaltar que  não são só as pessoas com deficiência leve que podem e devem  trabalhar.  E preciso mudar a mentalidade, incluir,  empoderar e promover o protagonismo destas pessoas. Por isso, falar sobre inclusão, infelizmente, ainda é necessário. A sociedade precisa entender o que ela precisa mudar e trabalhar para que as mudanças aconteçam na prática”, conclui. 

Já Sergio Ribeiro, sócio da Morelate Distribuidora de Peças para Vans, Micro e Ônibus, Caminhões e Carretas, explicou que a empresa leva a sério a ideia de pensar local para agir globalmente. ” Foi pensando nisso que surgiu a ideia de patrocinar Simpósio Colaborativo”, contou. “A deficiência não faz distinção de classe social, credo ou cor. A diferença é que as pessoas com deficiência que têm algum tipo de  vulnerabilidade social ou  dispõe de poucos recursos são largados à própria sorte, não são estimulados adequadamente e acabam não evoluindo como poderiam.  Entendemos que todas as pessoas com deficiência  precisam ser incluídas, estimuladas e ter assegurados seus direitos”, destacou. 

Pandemia, educação e pessoas com deficiência – Para Ana Cristina, o evento é extremamente importante para a formação de profissionais mais qualificados para lidar com as pessoas com deficiência. “Vivemos um momento muito delicado por causa da pandemia, mas estamos fazendo tudo com muita segurança”, afirmou. “Defendemos essa formação continuada, queremos mostrar aos profissionais da educação que eles não estão sozinhos e que eles são valorizados”. 

Segundo Lucelmo Lacerda, pós-Doutorando em Educação Especial pela UFSCa, o momento para o simpósio não poderia ser mais oportuno. “Marca a volta dos eventos presenciais na causa da pessoa com deficiência. Todo mundo foi afetado pela pandemia, mas para as pessoa com deficiência o isolamento e suas consequências foram ainda maiores. Retomar essa discussão é urgente. Esse evento é uma possibilidade de acelerar esse processo”, frisou.

Para ele,  durante a pandemia as perdas foram muito grandes e as consequências vão ser sentidas no futuro. “O problema é que a educação especial do Brasil já é muito improvisada. Existe  umas adaptações que são baseadas em esteriótipos. É uma coisa muito de fachada. As aulas remotas expuseram feridas que já estavam presentes e acentuou esse processo”, afirmou.

A professora de dança Alessandra Macedo, participante ativa do Fórum, aproveitou a ocasião para diz que participar do Simpósio é uma grande busca de conhecimento. “No meu trabalho a gente atende pessoas com deficiência. Tudo que está sendo falado hoje faz com queiramos nos aprofundar, é uma oportunidade única”, afirmou.

Para Analize Maria Monteiro, professora do programa de educação precoce e mãe de uma criança com deficiência física e autismo, Aa formação continuada é extremamente importante para melhorar a educação. “Já tenho mais de 25 anos de trabalho e o que a gente observa é que algumas coisas se repetem, propostas que a gente precisa melhorar. É preciso que a nossa luta se dê na esfera politica. Por isso, temos que estar juntos”, diz.

 

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